• Pedro M. Lourenço

Não se pode escrever opressão sem pressa


Está na hora. Estou atrasado. Nunca mais chega o comboio. O que vou fazer à minha vida? Na pressa de criar um mundo mais que perfeito caímos no erro de ceder ao apelo da ditadura. Uma ditadura cujo símbolo não é a suástica nem a foice e o martelo. Uma ditadura cujo símbolo redondo e numerado tem dois ponteiros eternamente em movimento.

A sociedade moderna vive sob a batuta opressiva do tempo. Não acordamos com as galinhas nem nos deitamos com o minguar da luz do dia, nem tão pouco regemos os nossas acções pelas regras biológicas do cansaço, da sede, da fome ou da vontade de procriar. Não. Tornámo-nos escravos do relógio. É ele quem decide quando acordamos, quando comemos, quando dormimos. Se tivermos sorte ele pode por vezes dar-nos uns minutos para nos recriarmos, talvez até para pensarmos. Talvez possamos então perceber que o relógio, assim como as suásticas, os deuses ou os chicotes, são todos criações humanas. Que o único ditador que nos oprime é aquele que vive escondido no âmago do nosso ser e nos faz crer que não temos, ou não merecemos, a liberdade de viver.

#Tempo #Relógio #Partidas #Paris #Pressa #Escravatura

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